10 de outubro de 2013

a ArtE dEscOmprOmEtE a...

a ArtE dEscOmprOmEtE a...






Estava a ler um texto de Philippe Dargen.
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Pensei em não dizer nada por um bom tempo, como se nada se fizesse tempo. Sei não, há coisas que me incomodam e que consigo compartilhar em suas idéias. Uma delas e que a arte fracassou frente ao ‘capitalismo pós industrial’. No inicio do século XXI, Dagen lançou um livro chamado ‘A ARTE IMPOSSÍVEL – Da inutilidade da criação no mundo contemporâneo’. Nesse livro, ele defende um posição ‘negativista’ ante a massificação que, segundo ele, “conduz ao desaparecimento do julgamento pessoal.”
Apesar dos críticos apontarem um negativismo no ideário desse crítico e historiador, percebo uma sensatez na análise de um ‘conformismo cultural da sociedade’. Nem miro impossível a arte; como ele, também miro inútil a arte, perigosa, indesejável. Para Philippe Dargen, “a arte é a defesa do nome contra o anonimato do número.” A arte é a distinção ante as semelhanças que compõem o ‘corpo social’.
Deixo às claras que sou contra a arte falsa, de mentira, copiosa, banal, que busca a repetição e a descontinuidade. Essa arte do não pode isso por que não vende; não pode aquilo por que ninguém vai gostar; não pode aquiloutro por ser experimental demais; nem isso, por que foge aos cânones, aos clássicos; nem isso, por causa da publicidade que se perde nos âmbitos midiáticos... A arte é falsa à maneira que é despótica, contrária ao homem.
Podes indagar que me contradigo ao afirmar arte e falsa arte por não haver um processo real de identificação de ambos. É: existe a verdadeira arte, assim como a falsa arte! É o que posso afirmar. Criar não é e nunca foi sinônimo de repetir, imitar... Criar, figura na necessidade de brincar com o que não tem sentido ainda ou borrar o sentido de algo, inventando novas significações para seus processos. Brincar com as palavras, retratar o espaço que nos cerca inventando outro meio de vê-lo, cruel ou/e delicadamente, não importa. Ver nas feridas do mundo beleza e nascimento (deixemos o Renascimento para os mortos) como Sophie Ristelhueber busca em suas fotografias:



Ristelhueber busca revelar beleza e suavidade no que poderia ser revelado por meio do olhar grotesco. A busca de se libertar dos planos cartesianos e dogmáticos, de querer comunicar ao homem possibilidades de crescimento. É-nos dado, através da arte, a possibilidade de analisar o espaço que queremos engendrar em nós, em nossas relações interiores e exteriores. Pensar e ser crítico do nosso próprio pensamento. A massificação se tornou imperial nos dias de hoje e virá a ser obrigatória. Nós a tornamos assim – fizemos o dever de casa do consumismo material, (cultural?) ideológico – sem avaliarmos o preço a pagar.

“ – Tenho que comprar aquele produto de pensar, todos estão comprando. Vejam como já pensam alinhados!”

Li, certa vez, uma frase de alguém que não me recordo o nome. Dizia que quando todos estão pensando igual e que ninguém está pensando. Não gostaria que concordassem comigo, só que pensassem nisso.

E vamos brincar de imaginar o mundo!

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